O mês de setembro é marcado nacionalmente pela conscientização, visibilidade e luta pelos direitos da comunidade surda. Para celebrar essas conquistas e valorizar a cultura, a história e a identidade do povo surdo, a Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Educação, realizou, nesta quarta-feira (30), na Escola Municipal João XXIII, um evento especial organizado pela Classe Bilíngue de Surdos (CBS) e pelo Atendimento Educacional Especializado Bilíngue (AEEB). A Mostra Artística e o Concurso “Mãos que Moldam Emoções” reuniram estudantes, famílias e educadores em uma programação que incluiu apresentações teatrais, palestras e premiações.

A programação na Escola Municipal João XXIII teve início com a recepção e a abertura oficial conduzidas pelo corpo docente da CBS e da AEEB e pela equipe da Educação Bilíngue de Surdos. Em seguida, o público assistiu à peça teatral “O azul que virou orgulho”, seguida de um coffee break e de uma palestra conduzida pela psicóloga Larissa L. Gonçalves. O ponto alto da manhã incluiu a apresentação cultural da peça “Além do silêncio: As emoções de um surdo diante do bullying” e a exposição de trabalhos baseada no tema “Emoções no dia a dia”, que retrata sentimentos como alegria, tristeza, raiva, medo, vergonha e preocupação a partir das vivências cotidianas dos estudantes. O evento culminou com a apuração dos resultados e a premiação dos destaques da Mostra.

Na categoria Anos Iniciais, a estudante Niara Oliveira da Silva conquistou o 1º lugar do concurso, seguida por Pedro Henrique Alcântara da Cunha, em 2º lugar, e Helena Maysla da Silva Santos, em 3º lugar. Já na categoria Anos Finais, Ester Luiza Carvalho de Oliveira ficou em 1º lugar, Milena Emanuele Bernardo da Silva em 2º, e Higor Kauã Costa Teixeira conquistou a 3ª colocação.

A professora da classe bilíngue Mariana Moraes de Queiroz ressaltou a relevância pedagógica e cultural da iniciativa na instituição. “Neste contexto, nosso foco não se limita a adaptações curriculares, mas abrange um ensino ministrado diretamente na língua materna dos estudantes, com o português como segunda língua na modalidade escrita. Este evento celebra as importantes conquistas da comunidade surda e propõe uma reflexão sobre a perspectiva artística dos surdos, mostrando a percepção singular que possuem sobre a arte e o mundo”, afirmou a docente, enfatizando a importância da rede de apoio formada por alunos, famílias e colaboradores.

A emoção tomou conta do ambiente escolar com o depoimento de Micaela de Medeiros, mãe do aluno Paulo Manuel Medeiros, de nove anos. Visivelmente emocionada, ela relatou a transformação na trajetória educacional do filho após a mudança do Rio de Janeiro para Natal e o acolhimento na escola. “Vim de um lugar onde não obtive o suporte ou o acolhimento necessário. Foi apenas após a chegada a Natal, por meio do atendimento no CAIS e na Escola M. João XXIII, que ele encontrou o apoio adequado. Hoje, o progresso dele é notável tanto na Libras quanto no português, ele já interage com gibis e reconhece vocábulos que antes desconhecia. Não encontro outra palavra para descrever a importância desta sala bilíngue que não seja gratidão”, declarou.

A chefe do Setor de Educação Especial, Priscila Ferreira Ramos Dantas, pontuou o significado da data. “O mês de setembro é um momento de conscientização e visibilidade. Com o Concurso ‘Mãos que Moldam Emoções’, promovido na Escola Municipal João XXIII, nossos estudantes puderam expressar sentimentos, criatividade e identidade por meio da arte, valorizando potencialidades e fortalecendo sua autonomia e participação na construção de uma educação verdadeiramente bilíngue”, destacou Priscila Ramos.

A articulação entre teoria, prática e parcerias também foi enfatizada pela secretária adjunta de Gestão Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Naire Jane Capistrano. Segundo a secretária, a consolidação dessas iniciativas conta com apoios fundamentais, como a colaboração com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Este evento confere visibilidade à educação de surdos na Rede Municipal, evidenciando que os estudantes não são apenas receptores de conteúdo, mas produtores ativos de cultura. Ao integrar o teatro e as artes visuais ao currículo, promovemos a apropriação técnica e teórica do conhecimento, permitindo que transcendam o aprendizado passivo e fortaleçam sua autoestima”, concluiu Capistrano.