Nesta terça-feira (6), a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS), pelo Núcleo de Atenção à Saúde Mental na Atenção Primária do Departamento de Atenção Básica (DAB), realizou a capacitação “Transtornos Mentais Comuns na Atenção Primária à Saúde”, destinada aos profissionais que atuam nas unidades de saúde do município.

Médicos, enfermeiros, psicólogos, Agentes Comunitários de Saúde (ACS), entre outros profissionais dos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS) dos Distritos Sanitários Norte I, Norte II e Leste de Natal, participaram da atividade. A capacitação teve como objetivo qualificar os profissionais para acolher adequadamente pessoas que chegam aos serviços com demandas relacionadas a sofrimento psíquico e emocional.

A psicóloga e referência técnica do Núcleo de Atenção à Saúde Mental na Atenção Primária da SMS Natal, Martha Emanuela Soares da Silva Figueiró, conta que o encontro marca o encerramento do ciclo de capacitação realizado com trabalhadores dos cinco distritos da cidade e integra o processo de qualificação permanente desenvolvido pela pasta.

“A ideia é trazer esses conhecimentos para todos os profissionais da atenção primária em saúde, para que, quando casos de saúde mental cheguem às unidades básicas, as equipes consigam fazer um melhor acolhimento, uma melhor avaliação e, consequentemente, manejo ou até encaminhamento adequado para outros serviços de saúde, se for necessário”, explica.

Ela conta que a proposta também é reforçar que esse cuidado começa nas unidades de saúde. “Na unidade de saúde, o usuário vai ter uma orientação, ou até mesmo um primeiro atendimento para sua necessidade. Então, isso serve também para desmistificar a ideia de que a saúde mental é apenas para serviços especializados, mas que as pessoas entendam que, mesmo na atenção primária, elas podem ter um cuidado para o seu sofrimento psíquico”, falou.

A médica psiquiatra da SMS, Dulciana Costa, foi responsável por conduzir a capacitação. Durante a manhã, ela apresentou aos profissionais informações sobre os diagnósticos de transtornos mentais mais comuns, como ansiedade e depressão, além daqueles relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas. A atividade abordou formas de identificação, principais sintomas e manejo.

“É preciso aperfeiçoar o manejo biopsicossocial dos transtornos mentais comuns na atenção primária a fim de que saíamos da posição de primeiro no mundo em ansiedade e quinto em depressão, além de reduzirmos o transtorno por uso de substâncias que tem forte relação com o adoecimento psíquico e risco de suicídio, para que saíamos da posição do oitavo no mundo neste tipo de violência autoprovocada”, contou.

Mariza Porto, psicóloga da Unidade de Lagoa Seca, parabenizou a iniciativa e avaliou que atividades como essa contribuem não apenas para a qualificação do profissional no manejo clínico, mas também para o atendimento humanizado.

“Eu vejo como de fundamental importância uma oportunidade como essa para discutir questões do adoecimento psíquico e pensar em potencializar os profissionais da rede para saber ou descobrir formas de como lidar com o sofrimento da população e também se exercitar na escuta, na autoescuta, também entre os colegas de trabalho”, disse.